Quem é essa
tal liberdade que a todos seduz? Que com seus olhos verdes de pura esperança
deixa sua marca por onde passa e cuja falta é por todos sentida? Por que a
humanidade a deseja tão desesperadamente?
O conceito
de liberdade é um assunto tanto incerto quanto pessoal e tornou-se complicado generalizar
este, pois a definição de um não é a mesma de outro, já dizia Clarice Lispector:
“A liberdade ofende”. E por causa dessa distinção entre uma e outra, numa
sociedade cheia de liberdades, o ser humano nunca foi tão preso. Preso por
correntes criadas por eles mesmos, pois antes de ser uma ofensa a liberdade
assusta.
O anseio de
ser livre motiva a continuar lutando. Há cinquenta anos atrás o Brasil entrava
no regime que mais acabou com a liberdade, principalmente a de se expressar e o
termo censura virava rotina na vida dos brasileiros. O ano passado foi marcado
por inúmeras manifestações que mostraram a força do povo brasileiro que não
teve medo de “botar a cara a bater” e foi pra rua clamar por seus direitos.
Ruas, avenidas e cidades inundadas de pessoas entoando hinos e exercendo o que
a constituição promete, o direito à liberdade de expressão.
Essa batalha
não se limita a estes cinquenta anos e nem ao menos apenas ao Brasil. Barreiras
temporais e geográficas não conseguem segurar a vontade de se expressar, de
escolher, de amar apesar do sexo e um exemplo claro são os protestos contra a
lei anti-gay russa ocorrendo por todo o mundo: cantores se recusam a fazer
shows no país, escritores publicando uma carta aberta contra essa lei e os
próprios homossexuais mostram sua força, como as sete atletas gays assumidas
que estão participando dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi.
Liberdade de escolha, religiosa, de ir e vir, de se manifestar, de orientação sexual, falar o que quiser, e tantas outras são um direito do homem, muitas vezes mal visto, reprimido e banalizado, mas que caminha para um futuro com melhor aceitação, seja ele próximo ou não. Até lá, a batalha pela moça dos olhos verdes continua.