domingo, 16 de março de 2014

O que é arte?
Arte. Arte é arte oras!

         Como já fiz antes em meu outro blog (não me recordo se já o fiz nesse) aqui posto minhas redações cobradas no colégio, e a pergunta acima foi justo o tema da última que me foi requisitada. O problema desse tema é que ele é muito amplo e eu sempre me confundo com coisas amplas demais porque quero escrever muito e escrevo pouco.
         Já disse Da Vinci uma vez que a arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível. O chamam de gênio e não apenas da arte, então como posso eu fazer uma redação falando sobre a mesma?
         A arte foi o método em que o homem encontrou pra fugir da realidade imposta ou pra tentar fazê-la mais agradável e fugir da realidade tornou-se um vício. O vício mais bonito e o que deveria ser mais incentivado, pois ao contrário das outras drogas que o homem encontra essa o faz se tornar uma pessoa melhor.
         Recentemente eu percebi que por mais que eu quisesse, não conseguiria fugir da arte. Um curso de férias sobre Vinícius de Moraes foi o suficiente pra mostrar "Heloisa, você precisa mais disso! 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Just pay attention

Todo momento é importante.
Todo, no sentido geral mesmo, porque mesmo aquela hora em que você está se lamentando por não fazer nada importante é importante. Pensar nisso te faz querer mudar, tomar as rédeas e o período em que se toma essa decisão é de fato de extrema importância.
Um momento compartilhado então nem se fala, um simples bom dia de um estranho pode alegrar ou gerar um "bom dia por que?" na vida de alguém. Algumas palavras que para você são comuns mas para outros mudam o jeito de pensar.
O momento faz a diferença.
E é por essa diferença tamanha que ele propõe que a indiferença perante a qualquer momento é insuportável. A atenção aos detalhes, ou pelo menos o mínimo dela é necessário. Em casa, há algum tempo minha mãe se cadastrou no facebook e a partir desse momento qualquer conversa com ela enquanto está rolando a página é impossível: não responde, ou apenas concorda com a cabeça pra qualquer coisa que você tenha dito, mesmo sendo uma pergunta complexa e importante.
Isso é muita carência da minha parte? Querer um pouco de atenção dela? Por causa das aulas (ela sai antes de eu acordar de manhã, não almoça em casa e estou tendo aulas até as nove) só a vejo à noite  e por alguns minutos antes que ela desista do facebook e vá ver um pouco de televisão antes de dormir.
Outro dia eu cheguei e disse "mãe, estou grávida" só de brincadeira mesmo, pra descontrair e ela simplesmente "ok". Foi como uma cena de filme em que a pessoa faz de propósito pra te irritar. Essa semana o grupo de teatro que participo apresentará uma peça, e os convidei logicamente e ela enquanto estava no facebook disse que iria com certeza. Hoje ela veio toda brava falar que precisava a minha prima convidá-la pra peça que a filha dela iria participar e eu juro que eu quase chorei de raiva.
É um grande momento pra mim, nunca apresentei uma peça num palco, com luzes, som e tudo mais e ela mal liga.
Muitos filhos brigam bastante com os pais e não falam com eles, mas ou são crianças ou adolescentes ou tem ótimos motivos pra isso. Pais não falarem com filhos porque fulano falou algo engraçado e merece uma curtida é simplesmente ridículo.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Liberdade antes que tardia

                                               
       Quem é essa tal liberdade que a todos seduz? Que com seus olhos verdes de pura esperança deixa sua marca por onde passa e cuja falta é por todos sentida? Por que a humanidade a deseja tão desesperadamente?
       O conceito de liberdade é um assunto tanto incerto quanto pessoal e tornou-se complicado generalizar este, pois a definição de um não é a mesma de outro, já dizia Clarice Lispector: “A liberdade ofende”. E por causa dessa distinção entre uma e outra, numa sociedade cheia de liberdades, o ser humano nunca foi tão preso. Preso por correntes criadas por eles mesmos, pois antes de ser uma ofensa a liberdade assusta.

       O anseio de ser livre motiva a continuar lutando. Há cinquenta anos atrás o Brasil entrava no regime que mais acabou com a liberdade, principalmente a de se expressar e o termo censura virava rotina na vida dos brasileiros. O ano passado foi marcado por inúmeras manifestações que mostraram a força do povo brasileiro que não teve medo de “botar a cara a bater” e foi pra rua clamar por seus direitos. Ruas, avenidas e cidades inundadas de pessoas entoando hinos e exercendo o que a constituição promete, o direito à liberdade de expressão.
       Essa batalha não se limita a estes cinquenta anos e nem ao menos apenas ao Brasil. Barreiras temporais e geográficas não conseguem segurar a vontade de se expressar, de escolher, de amar apesar do sexo e um exemplo claro são os protestos contra a lei anti-gay russa ocorrendo por todo o mundo: cantores se recusam a fazer shows no país, escritores publicando uma carta aberta contra essa lei e os próprios homossexuais mostram sua força, como as sete atletas gays assumidas que estão participando dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi.
       Liberdade de escolha, religiosa, de ir e vir, de se manifestar, de orientação sexual, falar o que quiser, e tantas outras são um direito do homem, muitas vezes mal visto, reprimido e banalizado, mas que caminha para um futuro com melhor aceitação, seja ele próximo ou não. Até lá, a batalha pela moça dos olhos verdes continua.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Meu Amigo Vinícius


      Nessas férias decidi fazer algo diferente. Ficar em casa muito tempo parecia uma ideia agradabilíssima durante as aulas, mas esse conceito muda depois de duas semanas convivendo com as mesmas pessoas, tendo as mesmas atividades e até acordar tarde acaba se tornando incômodo. Pra quebrar a rotina fiz duas coisas: comecei a ir na academia com meu pai (sei que isso vai virar rotina, mas a ida até lá acontece as seis horas da manhã, logo é um desafio a cada dia) e me inscrevi no curso de teatro da cidade. É o segundo ano em que fazem esse curso de férias e, pra minha total felicidade, o tema escolhido esse ano foi nosso amigo Vinícius.
      Logo no segundo dia nos deram um poema dele, que eu não conhecia mas foi o necessário para já me dar a vontade de fazer teatro o ano todo e, ao que parece, escrever. Abaixo está o que lemos e interpretamos na aula e, em seguida, o escrito por... mim. (isso soa muito estranho)



                            POEMA ENJOADINHO


Filhos...Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!


                                                                              Vinícius de Moraes





                                          OUTRO ENJOADINHO



Filho... Filhos?
Mais um?!
Melhor não tê-lo
Este já foi um desespero
Mas se não o termos
Como sabê-lo?
Que de consulta
Quanto silêncio
Opa, acordou
Não chore, não chore
Era fome
Comeu, mijou, arrotou.
Filho... Filhos?
E você quer outro?!
Acordar na madrugada
Preparar mamadeira
Anda, dorme!
Acordado a noite inteira
Chama a babá!
Vamos dormir
Descansar, se divertir
Que hoje ela está lá
Filho... Filhos?
Um já está ótimo!
Já está chorando
E mal chegamos
Imagina um bando
Um só e paramos
Filho...Filhos!
Foi isso que ela disse
Chorava e ria
A mão na barriga
Transbordando de alegria
O menino em meu colo
Nada entendia, comigo sorria
Pois eu teria outro filho
E ele um irmão
Eu sabia. Ele sabia.


                                                                Heloisa De Moraes Campanhã
                                     

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O fim da linha

Tem momentos na vida em que se começa a pensar. Estou fazendo certo? É esse o caminho? Ele pode ser mudado depois? E outras infinitas perguntas e problemas, que somente você possui as respostas e soluções.
O meu problema é pior, eu nem ao menos sei quais são as perguntas. Não sei qual é o caminho e muito menos se ele pode ou não ser mudado. Não sei se estou fazendo certo porque não faço nada e não sei o que quero fazer.
Quem sou eu? Não sei. E não saber disso é preocupante, porque meu prazo pra decidir quem vou querer ser está acabando. Como em dezesseis anos de convivência comigo mesma eu consegui não saber nada sobre mim? O que eu fiz nesse tempo?
Prestes a entrar no terceiro colegial, o fim da linha está lá. Todo o tempo na escola, estudando pra conseguir tudo o que queria quando sair da escola...pra no fim, não saber o que quero. Nos anos de ensino fundamental fiz inúmeras coisas, mas nenhuma dela foi parar pra pensar "hey, isso é legal! Legal o bastante pra eu querer fazer pro resto da minha vida!". E parar pra refletir sobre isso só faz perceber que o problema é comigo mesmo, porque mesmo fazendo tudo isso não encontrei nada e não devia ser necessário procurar tanto, esse 'parar pra pensar' deveria ser inconsciente.
Li um texto ontem que me fez pensar sobre tudo isso, se chama "Francisca é puta" de Vinicius Cardoso. Eu invejo Francisca porque ela nasceu puta, ela nasceu sabendo o que queria fazer e fez o necessário para ser boa nisso. Não digo que a escolha dela é a que eu seguiria, mas a linha de pensamento sim. Francisca sabia o que queria e aquilo foi tirado dela. Ela foi transformada em outra pessoa e deixou de ser puta, deixou de ser Francisca. Eu não sou Heloisa. Nunca fui. Tenho que me torná-la ainda e pode ser que eu nunca seja. Como pude eu existir por todos esses anos e nunca ser ninguém?