quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O fim da linha

Tem momentos na vida em que se começa a pensar. Estou fazendo certo? É esse o caminho? Ele pode ser mudado depois? E outras infinitas perguntas e problemas, que somente você possui as respostas e soluções.
O meu problema é pior, eu nem ao menos sei quais são as perguntas. Não sei qual é o caminho e muito menos se ele pode ou não ser mudado. Não sei se estou fazendo certo porque não faço nada e não sei o que quero fazer.
Quem sou eu? Não sei. E não saber disso é preocupante, porque meu prazo pra decidir quem vou querer ser está acabando. Como em dezesseis anos de convivência comigo mesma eu consegui não saber nada sobre mim? O que eu fiz nesse tempo?
Prestes a entrar no terceiro colegial, o fim da linha está lá. Todo o tempo na escola, estudando pra conseguir tudo o que queria quando sair da escola...pra no fim, não saber o que quero. Nos anos de ensino fundamental fiz inúmeras coisas, mas nenhuma dela foi parar pra pensar "hey, isso é legal! Legal o bastante pra eu querer fazer pro resto da minha vida!". E parar pra refletir sobre isso só faz perceber que o problema é comigo mesmo, porque mesmo fazendo tudo isso não encontrei nada e não devia ser necessário procurar tanto, esse 'parar pra pensar' deveria ser inconsciente.
Li um texto ontem que me fez pensar sobre tudo isso, se chama "Francisca é puta" de Vinicius Cardoso. Eu invejo Francisca porque ela nasceu puta, ela nasceu sabendo o que queria fazer e fez o necessário para ser boa nisso. Não digo que a escolha dela é a que eu seguiria, mas a linha de pensamento sim. Francisca sabia o que queria e aquilo foi tirado dela. Ela foi transformada em outra pessoa e deixou de ser puta, deixou de ser Francisca. Eu não sou Heloisa. Nunca fui. Tenho que me torná-la ainda e pode ser que eu nunca seja. Como pude eu existir por todos esses anos e nunca ser ninguém?

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